Books & Movies


Obrigado a todos pelas felicitações! Ontem foi um dia muito movimentado, só agora começo a cair em mim. Vencer a 4ª edição do Prémio Internacional Books & Movies é uma honra para a qual tenho dificuldade em encontrar as palavras que façam justiça ao que sinto.

Estou especialmente grato à iniciativa Books & Movies, por dar espaço a que aconteçam coisas bonitas como esta no concelho de artistas que é Alcobaça.

Depois do júri ter analisado a obra que enviei com o pseudónimo Felisberto Andrade, o envelope com o meu nome foi aberto ontem de manhã em reunião pública no Salão Nobre da Câmara Municipal, tendo sido posteriormente contactado telefonicamente pela vereadora da Cultura, Drª Inês Silva. A entrega do prémio será dia 12 de Novembro na Gala Books & Movies 2017.
Não resisto em partilhar o parecer do júri, com uma palavra de apreço pela forma como leram e interpretaram tudo o que estava nas entrelinhas do "Panteão":
“Panteão”
Uma Ideia, um dia, viu-se ao espelho e quis saber quem era. Persegue uma rapariga que entra no Mosteiro de Alcobaça. Esta pergunta-lhe: Encontraste uma máquina fotográfica? (…) Continuas a sonhar com o homem que te pergunta se viste uma máquina fotográfica?” Encontra a máquina fotográfica na feira de velharias, assim como uma caixa de negativos de vidro e uma fotografia. Compra tudo. O conjunto traz ainda um bloco de notas, através do qual descobre o que acontecera ao pai. Acorda de um sonho, dizendo que é cada vez mais difícil abandonar o panteão dos sonhos da humanidade.
Dividido em três partes (“o caçador de sonhos”, “o caçador de sogras” e o “caçador de sombras”), o roteiro inscreve-se num cenário que, embora de contornos físicos – um monumento rodeado por uma feira de velharias (“um museu de tudo e de nada”), gente, cão, lojas… -, mais não é que um espaço de sonho, onde o homem e o objeto artístico são um só.
Com a construção de bons diálogos, viajando entre tempos históricos díspares com a mesma facilidade com que narra um episódio ou interpõe um certo questionamento filosófico, o trabalho apresenta densidade narrativa. “Panteão” é, pois, um roteiro ambicioso por contar uma história como se articulasse a passagem de milhares de fotografias, estando este fotógrafo, ao mesmo tempo, em muitos lugares e em diferentes épocas.
Todo o grande texto indaga a condição humana. O que nos move. De que massa são feitas as nossas ações. De onde nascem as grandes construções humanas que em última instância nos levarão a um panteão. A prosa de Felisberto Andrade instala-se com à vontade, consistência e bom manejo da narrativa nesses intervalos onde se dá a grande escrita. Por isso, pela inventiva, a plasticidade, a riqueza de ideias e vocabulário, e a defesa do tema a concurso, consideramos este o texto mais merecedor da honra que é um prémio.
O Júri,
Inês Silva – Vereadora da Câmara Municipal de Alcobaça
Raquel Ochoa – Escritora
Tiago Salazar – Escritor

26 Outubro 2017